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Direito Administrativo

PF investiga Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz por lavagem de dinheiro

Investigação da Polícia Federal aponta suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Documentos indicam compartilhamento de endereços comerciais, voos e negócios no setor de apostas.

Redação Legisfera6 minFlávio Bolsonaro e Willer Tomaz

O senador Flávio Bolsonaro e o advogado e empresário Willer Tomaz são alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) por suspeitas de lavagem de dinheiro, conforme apurado pela reportagem em 22 de outubro de 2026. Documentos analisados pelos investigadores apontam para vínculos entre os dois, incluindo o compartilhamento de endereços comerciais, o uso de jatos executivos em viagens internacionais e relações empresariais, especialmente no setor de apostas.

Vínculos em endereços comerciais

A investigação da PF identificou que empresas ligadas a Flávio Bolsonaro e a Antônio Carlos Camilo, conhecido como "Careca do INSS" e investigado em apurações sobre fraudes previdenciárias, compartilham o mesmo endereço comercial em Águas Claras, no Distrito Federal. A Bravo Grafeno, empresa da qual Flávio e seu pai, Jair Bolsonaro, são sócios, opera no mesmo local que a construtora RPLD, associada a Camilo. Essa coincidência de endereços levanta suspeitas sobre possíveis conexões financeiras e operacionais entre os investigados.

Viagens internacionais e acesso a contas

Um dos pontos centrais da apuração são viagens internacionais realizadas por Flávio e Tomaz em 2025. Segundo a reportagem, ao menos três trechos de voos executivos entre Portugal e França foram contratados pela Cathedral Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira e ligada à Rede Loto, companhia de apostas associada a Willer Tomaz. A defesa de Tomaz alega que os deslocamentos foram passeios de lazer custeados pessoalmente por ele, sem qualquer contrapartida. Flávio Bolsonaro declarou que sua relação com Tomaz é de amizade e classificou as associações como infundadas.

Adicionalmente, documentos sob análise indicam que Flávio Bolsonaro teria tido acesso operacional a uma conta bancária da offshore Alcazar Holdings, empresa ligada a Tomaz. O registro do senador como "usuário master" dessa conta gerou suspeitas sobre uma possível participação econômica ou societária, mesmo que ele não figure formalmente como sócio da empresa. O acesso a contas de offshore por pessoas não formalmente ligadas a elas pode configurar indícios de ocultação de patrimônio ou de movimentação financeira ilícita, práticas comuns em esquemas de lavagem de dinheiro.

Disputa por mansão em Angra dos Reis

A mansão localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), avaliada em R$ 10 milhões, também figura como um ponto de conexão entre Flávio e Tomaz. O senador teria visitado o imóvel pela primeira vez em julho de 2020. Desde 2022, os direitos de posse da propriedade estão vinculados à WT Administração, empresa de gestão de ativos imobiliários de Tomaz. O imóvel é objeto de uma disputa judicial com o jogador Richarlison, que alega ter adquirido a propriedade em 2020 e, posteriormente, perdido a posse. Flávio atua como testemunha no caso. Tomaz sustenta ter adquirido legalmente os direitos sobre o terreno e ter regularizado pendências fiscais.

Em maio de 2022, uma decisão liminar determinou que o direito de uso do espaço pertencia a Tomaz. Contudo, vizinhos e o jogador Richarlison relatam que Flávio seria um dos frequentadores mais assíduos do imóvel. O jogador e seus advogados solicitaram à PF que investigue a atuação do senador na disputa pela propriedade.

Negócios no setor de apostas e licenciamento

A atuação empresarial de Willer Tomaz no setor de apostas é outro foco da investigação. A Rede Loto, controladora da marca BestBet, foi a primeira empresa do segmento a obter licença de operação concedida pelo governo do Rio de Janeiro, em maio de 2023. O processo de autorização também está sob escrutínio da PF, que investiga Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e o governador Cláudio Castro (PL) por suspeitas de irregularidades no licenciamento. O então presidente da Loterj, Hazenclever Cançado, responsável pelos trâmites, também é alvo da apuração.

Tomaz é apontado como beneficiário final da RioPag, empresa responsável pelo processamento de pagamentos de apostas no estado. Dados da Loterj indicam que a companhia faturou expressivos valores entre junho de 2023 e agosto de 2026. A autarquia cobra da RioPag dívidas e multas por repasses considerados não pagos integralmente. Tomaz contesta a cobrança judicialmente, alegando não administrar a empresa.

Moldura Normativa: Lavagem de Dinheiro e Acesso a Contas

A investigação sobre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz baseia-se em indícios que podem configurar o crime de lavagem de dinheiro, tipificado na Lei nº 9.613/1998. Este crime consiste em ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. Para a configuração do delito, é necessário que haja uma infração penal antecedente que gere os valores a serem lavados, e que o agente pratique atos para dissimular essa origem.

O acesso operacional a uma conta bancária de offshore, como o indicado em relação a Flávio Bolsonaro e a Alcazar Holdings, pode ser um elemento crucial na investigação. A Lei nº 9.613/1998, em seu artigo 1º, prevê penas de reclusão de 3 a 10 anos e multa para quem "ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal". O fato de o senador ser "usuário master" de uma conta offshore, sem figurar formalmente como sócio, levanta a hipótese de que ele estaria atuando para ocultar a movimentação de valores, um dos pilares da lavagem de dinheiro.

Outro ponto relevante é a investigação sobre o licenciamento de empresas de apostas. A concessão de licenças e autorizações por órgãos públicos é regida por princípios da administração pública, como legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal. Qualquer irregularidade no processo de licenciamento, como favorecimento indevido ou recebimento de vantagens ilícitas, pode configurar atos de improbidade administrativa e, em alguns casos, crimes como corrupção ou tráfico de influência, que por sua vez podem gerar os valores a serem lavados.

Contraste de Teses: Amizade vs. Suspeitas Financeiras

A defesa de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz sustenta que a relação entre eles é estritamente de amizade e que os elementos investigados pela PF não configuram qualquer irregularidade. Eles negam participação em esquemas de lavagem de dinheiro ou em fraudes. A tese defensiva busca desvincular os fatos apontados pela investigação de qualquer ilícito, atribuindo-os a coincidências ou a atividades empresariais legítimas. A defesa de Tomaz, em particular, afirma que os custos das viagens internacionais foram pessoais e que ele não responde pela administração da RioPag.

Por outro lado, a Polícia Federal, com base nos documentos analisados, levanta suspeitas de que os vínculos entre Flávio e Tomaz ultrapassam a esfera da amizade. A PF investiga se há uma participação econômica ou societária oculta, se os voos foram custeados com recursos de origem duvidosa, e se o acesso a contas offshore e o envolvimento em negócios de apostas configuram atos de lavagem de dinheiro. A investigação busca comprovar a conexão entre as atividades empresariais de Tomaz e a possível participação de Flávio Bolsonaro na ocultação ou dissimulação de valores.

Leitura Rápida

  • Quem é investigado: Senador Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.
  • Suspeitas: Lavagem de dinheiro, possivelmente ligada a negócios de apostas e fraudes previdenciárias.
  • Evidências apontadas: Compartilhamento de endereços comerciais, voos executivos internacionais, acesso a contas offshore e disputa por mansão.
  • Posição das defesas: Relação de amizade, negação de irregularidades e alegação de atividades legítimas.

Próximos Passos da Investigação

As apurações da Polícia Federal seguem em andamento, com a análise aprofundada dos documentos e a coleta de novas evidências. A investigação buscará determinar se os vínculos identificados entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz configuram, de fato, crime de lavagem de dinheiro ou outras infrações penais. A existência de conexões comerciais, societárias ou pessoais, por si só, não comprova a prática de crimes, sendo necessário demonstrar o dolo e a finalidade ilícita dos atos praticados pelos investigados.

Perguntas objetivas

Quem está sendo investigado pela Polícia Federal?

A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o advogado e empresário Willer Tomaz.

Quais são as principais suspeitas contra Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz?

As suspeitas recaem sobre lavagem de dinheiro, com indícios de compartilhamento de endereços comerciais, uso de voos executivos em viagens internacionais e relações empresariais no setor de apostas.

Qual a defesa apresentada por Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz?

Ambos afirmam que a relação entre eles é de amizade e negam veementemente qualquer irregularidade. A defesa de Tomaz também alega que os custos de viagens foram pessoais e que ele não administra uma das empresas citadas.

O que a investigação busca comprovar?

A Polícia Federal busca comprovar se os vínculos entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz configuram crime de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou outras infrações penais, especialmente em relação a negócios no setor de apostas.

Este texto explica o tema para quem não é da área. Não é parecer e não substitui a análise de um advogado sobre o seu caso.

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