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Direito Tributário

Penhora de mansão de Renato Aragão: IPTU e prazo de 30 dias

Justiça do Rio penhorou mansão de Renato Aragão por dívida de IPTU de R$ 676 mil. Após intimação, o humorista tem 30 dias para embargar a execução fiscal.

Redação LegisferaPublicado em 5 min de leitura

A Justiça do Rio de Janeiro determinou, na terça-feira (27), a penhora de uma mansão do humorista Renato Aragão, de 91 anos, no Recreio dos Bandeirantes, por dívida de IPTU de R$ 676 mil com a Prefeitura do Rio. A penhora de mansão de Renato Aragão decorre de execução fiscal, ação judicial usada pelo município para cobrar tributo não pago. O efeito prático: o imóvel responde pela dívida até que o valor seja quitado ou que o devedor apresente defesa.

Em resumo

  • Quem é afetado: o proprietário do imóvel, Renato Aragão, 91 anos, citado no processo e que não pagou o débito.
  • O que muda: o imóvel fica vinculado à execução fiscal, com penhora e avaliação pelo oficial de Justiça.
  • Prazo: após a intimação formal da penhora, o humorista tem 30 dias para apresentar embargos à execução.
  • Alternativa: o débito pode ser pago ou parcelado pelo portal Carioca Digital ou em postos da Secretaria Municipal de Fazenda.
  • O que observar: a assessoria do humorista afirmou que o débito será integralmente quitado.

Quem determinou a penhora e por qual motivo

A juíza Kátia Cristina Nascentes Torres, da 12ª Vara da Fazenda Pública da Capital, ordenou a expedição de mandado para que um oficial de Justiça compareça pessoalmente ao imóvel, identifique-o pelo cadastro imobiliário municipal e realize a penhora e a avaliação. O motivo é a cobrança de débito tributário municipal referente aos anos de 2021 a 2023.

Renato Aragão foi citado no processo, mas não efetuou o pagamento. Por isso, a Justiça determinou o prosseguimento da execução. A citação é o ato pelo qual o devedor toma conhecimento oficial da cobrança e passa a poder se defender. Sem pagamento nem defesa, a execução avança para a constrição de bens.

Como funciona a execução fiscal de IPTU

A execução fiscal é o instrumento que a Fazenda Pública usa para cobrar créditos inscritos em dívida ativa. No caso do IPTU, o município precisa primeiro lançar o tributo, notificar o contribuinte e inscrever o débito em dívida ativa. Só então pode ajuizar a execução.

A Lei 6.830/1980, a Lei de Execuções Fiscais, disciplina esse caminho. Ela prevê que, não pago o débito nem encontrados bens, o juiz pode determinar a penhora de tantos bens quantos bastem para garantir a execução. O Código Tributário Nacional, por sua vez, fixa em cinco anos o prazo para a Fazenda cobrar judicialmente o crédito após a constituição definitiva do tributo. Passado esse prazo, a cobrança prescreve.

Traduzindo: o município não pode cobrar para sempre. Ele tem uma janela legal para ajuizar a execução, e o devedor tem meios de discutir tanto o valor quanto a própria cobrança.

O que a penhora significa para o proprietário

Penhora não é expropriação imediata. É a vinculação judicial de um bem ao processo para garantir que, ao final, a dívida seja satisfeita. O imóvel continua sendo do proprietário, mas fica comprometido com a execução.

Depois da penhora, o bem é avaliado. A avaliação serve de base para eventual alienação judicial, caso a dívida não seja paga nem garantida por outra forma. O proprietário pode, no entanto, substituir a penhora por outra garantia, como depósito em dinheiro ou fiança bancária, se o juiz aceitar.

O oficial de Justiça deverá informar ao humorista as possibilidades de pagamento ou parcelamento do débito pelo portal Carioca Digital ou em postos de atendimento da Secretaria Municipal de Fazenda. O parcelamento, quando concedido, suspende a execução enquanto as parcelas são pagas.

Quando o prazo de 30 dias começa a contar?

O prazo começa após a intimação formal da penhora, não a partir da decisão que a determinou. A intimação é o ato que informa oficialmente o devedor de que o bem foi penhorado.

A partir daí, Renato Aragão terá 30 dias para apresentar embargos à execução. Os embargos são a defesa típica do executado: neles, é possível alegar pagamento, prescrição, excesso de cobrança, nulidade da citação ou inexigibilidade do título.

Se os embargos forem rejeitados e a dívida não for quitada, a execução segue para a fase de expropriação, que pode culminar na alienação judicial do imóvel. O valor arrecadado quita o débito e eventuais custas; o que sobrar volta ao proprietário.

Quem fica de fora da penhora: o bem de família

A Lei 8.009/1990 protege o imóvel residencial do devedor contra penhora por dívidas em geral. É o chamado bem de família legal, que torna impenhorável o único imóvel residencial do casal ou da entidade familiar.

Há exceções expressas. A própria lei afasta a proteção para débitos de IPTU e taxas condominiais relativos ao próprio imóvel. Ou seja: quem deve o imposto do imóvel não pode invocar o bem de família para impedir a penhora desse mesmo bem.

No caso de Renato Aragão, a mansão do Recreio dos Bandeirantes é um dos imóveis do humorista. A proteção do bem de família só alcança o imóvel residencial único, o que afasta a tese quando o devedor possui outros bens. A mansão chegou a ser anunciada para venda desde 2023, com valor estimado entre R$ 18 milhões e R$ 20 milhões.

O que a defesa e a prefeitura dizem

A Procuradoria do Município do Rio confirmou que Aragão ainda deve os IPTUs. A assessoria do humorista afirmou que "o débito mencionado nas recentes publicações será integralmente quitado" e que o caso está sendo acompanhado por seus advogados, que adotam as providências para regularizar a situação.

O pagamento integral ou o parcelamento deferido encerra a execução. Enquanto isso não ocorre, a penhora permanece registrada e o imóvel segue vinculado ao processo. A quitação também afasta a inclusão do nome em cadastros de inadimplentes, como a dívida ativa municipal.

O que ainda falta decidir

A penhora e a avaliação são etapas iniciais. O desfecho depende de três fatores: se o humorista pagará ou parcelará o débito, se apresentará embargos dentro dos 30 dias e qual será a decisão judicial sobre eles.

Se houver quitação, a execução é extinta e a penhora, levantada. Se houver embargos, o juiz analisa as teses antes de qualquer alienação. Se não houver pagamento nem defesa, o imóvel pode ir a leilão judicial para satisfazer o crédito municipal.

O caso ilustra um ponto que vale para qualquer contribuinte: a dívida de IPTU não prescreve de imediato e pode alcançar o próprio imóvel. O prazo de cinco anos para a cobrança judicial e o prazo de 30 dias para embargar são os dois relógios que decidem o rumo de uma execução fiscal.

Perguntas frequentes

O que acontece se o contribuinte não pagar o IPTU?

O município inscreve o débito em dívida ativa e pode ajuizar execução fiscal para cobrar o valor. Nessa ação, a Justiça pode determinar a penhora de bens, inclusive do próprio imóvel que gerou o tributo, já que a Lei 8.009/1990 não protege o bem de família contra débitos de IPTU.

Qual é o prazo para apresentar embargos à execução fiscal?

O executado tem 30 dias, contados da intimação formal da penhora, para apresentar embargos à execução fiscal. Nos embargos, pode alegar pagamento, prescrição, excesso de cobrança ou nulidade da citação. Sem embargos nem pagamento, a execução avança para a expropriação do bem.

A mansão de Renato Aragão pode ser penhorada mesmo sendo bem de família?

Sim. A Lei 8.009/1990 afasta a impenhorabilidade do bem de família para débitos de IPTU e taxas condominiais relativos ao próprio imóvel. Além disso, a proteção só alcança o imóvel residencial único, o que não se aplica quando o devedor possui outros bens.

Quanto tempo a prefeitura tem para cobrar o IPTU judicialmente?

O Código Tributário Nacional fixa em cinco anos o prazo para a Fazenda Pública cobrar judicialmente o crédito após a constituição definitiva do tributo. Passado esse prazo sem ajuizamento da execução, a dívida prescreve e não pode mais ser cobrada.

Este texto explica o tema para quem não é da área. Não é parecer e não substitui a análise de um advogado sobre o seu caso. Política editorial.

Fontes consultadas

Apuração da Redação Legisfera a partir dos materiais acima. O texto é original.

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