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Poder Judiciário

STJ anula trânsito em julgado após advogado atuar sem poderes

Ministro Messod Azulay Neto, do STJ, declarou nulidade de condenações criminais em caso de substabelecimento sem reserva. Prazo para alegações finais é reaberto para réus que ficaram sem defesa técnica válida.

Redação LegisferaPublicado em 5 min de leitura

O ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), anulou o trânsito em julgado de condenações criminais e determinou a reabertura do prazo para apresentação de alegações finais. A decisão, proferida em 26 de outubro de 2026, ocorreu após constatar que um advogado continuou a atuar na defesa de dois réus mesmo após ter transferido integralmente seus poderes a outro profissional, configurando prejuízo concreto ao direito de defesa. O caso envolve dois réus condenados a penas de 18 e 15 anos de reclusão por crimes relacionados à associação criminosa e ao Estatuto do Desarmamento.

Em resumo

  • Quem é afetado: Dois réus condenados em São Paulo a penas de 18 e 15 anos de reclusão.
  • O que muda: O trânsito em julgado das condenações foi anulado, e o prazo para apresentação de alegações finais será reaberto.
  • O que observar: A atuação de um advogado sem poderes de representação e a ausência de impugnação das condenações foram determinantes para a decisão do STJ.

STJ anula condenação por atuação de advogado sem poderes

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou o trânsito em julgado de condenações criminais em um caso onde um advogado, que havia substabelecido integralmente seus poderes sem reserva a outro profissional em março de 2024, continuou a atuar no processo. O ministro Messod Azulay Neto considerou que essa irregularidade, somada à ausência de impugnação das condenações, comprometeu a defesa dos réus. A decisão, datada de 26 de outubro de 2026, determinou a reabertura do prazo para a apresentação das alegações finais, garantindo a possibilidade de uma defesa técnica mais efetiva.

Quando o prazo para alegações finais pode ser reaberto?

O prazo para alegações finais pode ser reaberto em casos de nulidade processual que causem prejuízo concreto à defesa. No presente caso, a atuação de um advogado sem poderes de representação após substabelecimento sem reserva, conforme estabelecido pelo Código de Processo Penal, configurou uma falha grave. A Súmula 523 do Supremo Tribunal Federal (STF) orienta que a falta de defesa gera nulidade absoluta, enquanto a deficiência exige a demonstração de prejuízo, o que foi fartamente comprovado.

O que significa substabelecimento sem reserva?

O substabelecimento sem reserva de poderes, conforme explicado pelo ministro Messod Azulay Neto, equivale à renúncia dos poderes originais conferidos ao advogado. Isso significa que, a partir da data do substabelecimento em março de 2024, o advogado original deixou de ter qualquer capacidade legal para representar os réus no processo. A atuação posterior, incluindo a participação em audiência e a apresentação de alegações finais, foi considerada inválida por falta de mandato.

Por que a atuação do advogado sem poderes gerou nulidade?

A nulidade foi decretada porque a atuação do advogado sem poderes de representação causou prejuízo concreto à defesa. O profissional original, que havia substabelecido seus poderes, continuou a assinar peças processuais, enquanto o advogado que detinha a representação legal não apresentou qualquer recurso contra as condenações. Além disso, o advogado original teve sua prisão preventiva decretada e foi preso na Itália em fevereiro de 2025, antes mesmo da prolação da sentença condenatória. Essa conjuntura demonstrou uma grave deficiência na condução da defesa técnica e violou o princípio do contraditório efetivo.

O que diz o Código de Processo Penal sobre a defesa?

O Código de Processo Penal (CPP) prevê, em seu artigo 266, que o interrogatório do acusado será realizado pelo juiz, que deverá adverti-lo sobre o direito de ser assistido por defensor. No entanto, o ministro Messod Azulay Neto afastou a aplicação deste artigo no caso em questão, ao ressaltar que a ausência de oposição dos acusados à atuação do advogado não equivale à sua constituição como defensor. O dispositivo exige a “indicação” ativa do acusado para a constituição de um novo defensor, não admitindo outorga tácita de poderes pela mera ausência de contestação.

Qual a importância da Súmula 523 do STF?

A Súmula 523 do Supremo Tribunal Federal (STF) estabelece um critério fundamental para a declaração de nulidades em processos criminais: a falta de defesa técnica acarreta nulidade absoluta, enquanto a deficiência na defesa exige a comprovação de prejuízo concreto. No caso julgado pelo STJ, a atuação do advogado sem poderes e a subsequente inércia na interposição de recursos configuraram uma deficiência grave, com prejuízo demonstrado. A decisão do STJ, ao acolher o recurso em habeas corpus, alinhou-se a essa orientação jurisprudencial, reconhecendo a nulidade que deveria alcançar a fase anterior à apresentação das alegações finais.

Quem ficou de fora da defesa técnica válida?

Os dois réus condenados, que tiveram suas penas somadas em 33 anos de reclusão, foram os principais prejudicados pela atuação do advogado sem poderes. A defesa técnica válida, que deveria ter sido exercida pelo profissional substabelecido, não ocorreu de forma eficaz. A ausência de impugnação das condenações e a atuação do advogado original, que se encontrava foragido e preso na Itália, deixaram os réus em uma situação de vulnerabilidade processual, sem a devida representação e sem a possibilidade de exercer plenamente seu direito de recorrer da sentença.

Quais os próximos passos após a decisão do STJ?

Com a decisão do STJ, o processo retornará à primeira instância para que seja reaberto o prazo para a apresentação das alegações finais. Os réus terão a oportunidade de constituir novos advogados ou de ter a defesa exercida por profissionais com plenos poderes de representação. A partir daí, novas alegações poderão ser apresentadas, e o processo seguirá os trâmites legais, com a possibilidade de interposição de recursos contra eventual nova sentença condenatória, garantindo assim o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório.

FAQ

  • O que o STJ decidiu sobre a atuação do advogado?

    O STJ anulou o trânsito em julgado de condenações criminais porque um advogado atuou sem poderes após substabelecer integralmente sua representação. O ministro Messod Azulay Neto considerou que houve prejuízo à defesa dos réus.

  • Quando o prazo para alegações finais é reaberto?

    O prazo para alegações finais é reaberto quando se constata nulidade processual que cause prejuízo concreto à defesa, como a atuação de advogado sem poderes ou a falta de defesa técnica, conforme Súmula 523 do STF.

  • O que é substabelecimento sem reserva de poderes?

    Substabelecimento sem reserva significa que o advogado original transferiu todos os seus poderes a outro profissional, renunciando à sua própria representação no processo. A atuação posterior do advogado original é considerada inválida.

  • Qual o impacto da decisão para os réus?

    A decisão do STJ permite que os réus apresentem novas alegações finais, pois o trânsito em julgado foi anulado. Isso garante a eles a oportunidade de exercer plenamente seu direito de defesa e contraditório.

Perguntas frequentes

O que o STJ decidiu sobre a atuação do advogado?

O STJ anulou o trânsito em julgado de condenações criminais porque um advogado atuou sem poderes após substabelecer integralmente sua representação. O ministro Messod Azulay Neto considerou que houve prejuízo à defesa dos réus.

Quando o prazo para alegações finais é reaberto?

O prazo para alegações finais é reaberto quando se constata nulidade processual que cause prejuízo concreto à defesa, como a atuação de advogado sem poderes ou a falta de defesa técnica, conforme Súmula 523 do STF.

O que é substabelecimento sem reserva de poderes?

Substabelecimento sem reserva significa que o advogado original transferiu todos os seus poderes a outro profissional, renunciando à sua própria representação no processo. A atuação posterior do advogado original é considerada inválida.

Qual o impacto da decisão para os réus?

A decisão do STJ permite que os réus apresentem novas alegações finais, pois o trânsito em julgado foi anulado. Isso garante a eles a oportunidade de exercer plenamente seu direito de defesa e contraditório.

Este texto explica o tema para quem não é da área. Não é parecer e não substitui a análise de um advogado sobre o seu caso. Política editorial.

Fontes consultadas

Apuração da Redação Legisfera a partir dos materiais acima. O texto é original.

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