
Advogado assassinado atuou em disputa por mansão de Richarlison
Rodrigo Marinho Crespo, morto em fevereiro de 2024, defendia empresa ligada a Willer Tomaz em processo que envolve imóvel reivindicado pelo jogador Richarlison. A motivação do crime, contudo, aponta para o mercado de apostas online.
O advogado Rodrigo Marinho Crespo, assassinado a tiros em 26 de fevereiro de 2024, no Centro do Rio de Janeiro, atuou em uma disputa judicial envolvendo uma mansão em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. O imóvel é reivindicado pelo atacante Richarlison, do Tottenham, da Inglaterra, enquanto os direitos sobre a propriedade passaram a ser vinculados à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL). A atuação de Crespo na causa imobiliária, contudo, não é apontada pelas autoridades como a motivação para sua morte, que estaria ligada a interesses no mercado de apostas on-line.
Disputa pela Mansão em Angra dos Reis
A controvérsia sobre a mansão em Angra dos Reis envolve alegações distintas de aquisição e posse. Richarlison apresentou documentos que, segundo ele, comprovam a compra do imóvel em 2020, com um investimento de cerca de R$ 10 milhões. Ele alega ter agido em sociedade com o empresário Renato Velasco e Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG. O jogador questionou a demora na regularização de seu pedido junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU), em contraste com o avanço de processos relacionados à empresa de Willer Tomaz.
Por outro lado, Willer Tomaz sustenta que os registros de propriedade do imóvel datam de 1975 e que os direitos foram transferidos regularmente à WT Administração de Imóveis e Bens em 2022. Segundo Tomaz, a empresa ligada a Richarlison perdeu disputas judiciais e desistiu do processo em 2025. A divergência reside na sequência de documentos de posse, nos procedimentos de regularização e na validade das aquisições alegadas por cada parte.
Atuação de Crespo na Disputa Imobiliária
Rodrigo Marinho Crespo, à época com 42 anos, assumiu a representação da empresa ligada a Willer Tomaz na disputa pelo imóvel após a saída do advogado Luis Felipe Salomão Filho. Seu nome constava nos registros judiciais relacionados ao caso. Willer Tomaz, no entanto, contestou a extensão da atuação de Crespo, afirmando que o profissional era associado de outro escritório e havia sido incluído no processo por substabelecimento, sem ter praticado atos efetivos na causa.
Motivação do Homicídio: Mercado de Apostas
As investigações conduzidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro apontam para uma motivação distinta para o assassinato de Rodrigo Marinho Crespo. A apuração identificou suspeitos ligados a interesses no mercado de apostas on-line. Em março de 2026, três acusados foram condenados em Tribunal do Júri a 30 anos de prisão. Em agosto deste ano, o Ministério Público denunciou outras quatro pessoas por suposta participação no crime, incluindo um policial militar da ativa. A execução foi descrita como planejada, com um homem encapuzado abordando Crespo e efetuando diversos disparos.
O que ainda está em aberto
Apesar da condenação de três pessoas e da denúncia de outras quatro no caso do assassinato de Rodrigo Marinho Crespo, as investigações sobre a totalidade dos envolvidos e a dinâmica exata do crime continuam. Paralelamente, a disputa judicial pela mansão em Angra dos Reis segue em andamento, com as partes apresentando versões e documentos conflitantes sobre a titularidade e a aquisição do imóvel. A relação de amizade entre Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro foi mencionada, mas o senador declarou não ser parte no processo imobiliário.
Leitura Rápida
- Quem é afetado: Advogados atuantes em disputas imobiliárias complexas, partes envolvidas em litígios de alto valor, e familiares das vítimas de crimes violentos.
- O que observar: O desenrolar das investigações sobre o assassinato de Crespo e a resolução da disputa judicial pela mansão em Angra dos Reis.
- Próximos passos: A continuidade das investigações sobre o homicídio e a análise judicial dos documentos e argumentos apresentados por Richarlison e pela empresa de Willer Tomaz.
Aprofundamento Jurídico: O Instituto do Homicídio e a Disputa por Propriedade
O caso de Rodrigo Marinho Crespo ilustra a complexidade de investigações criminais e disputas civis simultâneas. O homicídio, tipificado no Código Penal, exige a comprovação da autoria, materialidade e dolo, com a pena podendo variar conforme as circunstâncias do crime. No caso em questão, a investigação aponta para uma execução, o que pode configurar qualificadoras como motivo torpe ou fútil, dependendo da linha de apuração.
A disputa pela mansão em Angra dos Reis, por sua vez, envolve o direito civil, especificamente o direito de propriedade e os meios de sua aquisição e proteção. A Lei nº 13.097/2015, por exemplo, estabelece a necessidade de registro para a efetiva transferência da propriedade imobiliária, garantindo a segurança jurídica nas transações. A análise dos documentos apresentados por Richarlison e pela WT Administração de Imóveis e Bens será crucial para determinar a titularidade do imóvel, considerando os prazos e requisitos legais para cada tipo de aquisição, seja por compra e venda, usucapião ou outra forma prevista em lei.
A atuação do advogado no processo, mesmo que por substabelecimento, gera responsabilidades. O Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/1994) estabelece os deveres dos advogados, incluindo a diligência e a lealdade para com os clientes e o Poder Judiciário. A eventual participação de Crespo na causa, mesmo que limitada, pode ter implicações éticas e legais, dependendo da extensão de sua atuação e do conhecimento que possuía sobre os fatos.
O Contraste de Argumentos na Disputa Imobiliária
De um lado, Richarlison apresenta documentos que, em sua visão, comprovam a aquisição da mansão em 2020, com um investimento substancial. Ele alega ter havido privilégios na tramitação de processos alheios, questionando a agilidade diferenciada em detrimento de sua própria demanda. Seu argumento central é a prova documental da compra e o direito de ter sua posse regularizada de forma célere.
Do outro lado, Willer Tomaz defende a regularidade da transferência dos direitos à sua empresa em 2022, com base em registros anteriores que remontam a 1975. Ele sustenta que a empresa de Richarlison perdeu as disputas judiciais e desistiu do processo, indicando que a versão do jogador não encontra respaldo legal suficiente para alterar a titularidade já consolidada em favor da WT Administração de Imóveis e Bens. A tese de Tomaz foca na validade dos registros e na decisão judicial desfavorável à parte representada por Richarlison.
Perguntas objetivas
Quem era Rodrigo Marinho Crespo?
Rodrigo Marinho Crespo era um advogado de 42 anos que atuou em uma disputa judicial por uma mansão em Angra dos Reis. Ele foi assassinado a tiros em 26 de fevereiro de 2024, no Rio de Janeiro.
Qual a ligação de Crespo com Richarlison e Flávio Bolsonaro?
Crespo defendia uma empresa ligada a Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, em uma disputa por uma mansão que também é reivindicada pelo jogador Richarlison. O senador Flávio Bolsonaro não é parte no processo imobiliário.
Qual a motivação apontada para o assassinato de Crespo?
As investigações apontam que a motivação para o assassinato de Rodrigo Marinho Crespo está ligada a interesses no mercado de apostas on-line, e não à disputa pela mansão.
O que diz a disputa pela mansão?
Richarlison alega ter comprado a mansão em 2020, enquanto a empresa de Willer Tomaz afirma ter adquirido os direitos regularmente em 2022, com base em registros anteriores. Ambas as partes apresentam documentos e argumentos conflitantes.
Este texto explica o tema para quem não é da área. Não é parecer e não substitui a análise de um advogado sobre o seu caso.
